Em uma vida, você vive várias vidas.
Você se dá conta disso?


No Livro Tibetano dos Mortos, existe uma descrição de que em uma vida, “morremos” muitas vezes. E se não for assim, estamos carregando “cadáveres” que já deveriam estar enterrados há muito tempo… A esse fenômeno, é dado o nome de Bardo Thodol, verdadeiros portais que bem compreendidos nos levam a novas vidas. Onde em cada fase temos a oportunidade de vivermos com mais Luz.
“Se não nascerdes de novo, não entrareis no Reino dos Céus”. (Cristo)

Nascer de novo é dar-se conta que nossa alma está renascendo com os aprendizados e aperfeiçoando suas virtudes e direção a uma dimensão mais sutil e menos dolorosa.

E a cada mudança radical que vivemos em nosso corpo, corresponde a uma nova percepção de nossa alma imortal em direção a novos níveis de existência. E de felicidade, que também muda com as ressignificações acrescentadas pelas experiências vividas.

Quando nascemos, nossa alma (sabe-se lá de onde ela vem!) recebe um corpo formado dentro de nossa mãe.
O útero representa a terra, que irá abrigar nosso corpo enquanto nossa alma realiza sua jornada nesta encarnação. Dentro desse processo infinito chamado Vida.

“Na verdade, Deus é um Deus de vivos, não de mortos.” (Cristo)

E assim que nascemos para a vida material, começam nossas transformações.

O nosso corpo infantil desenvolve-se e com a chegada dos hormônios que transformará nosso corpo em adolescente. Acontece nossa primeira morte.

O corpo que habitamos está sob novas energias e o melhor a fazer é despedir-se da criança e começar nossa nova vida pré-adulta.
Mas carregamos os complexos adquiridos em nossa infância, e portanto nossa adolescência será marcada pela inadequação que sentimos por estar em um corpo diferente, desconhecido.

Poucos talvez se darão conta que nossa alma agora habita um novo corpo. E terá as experiências dessa fase.

Se tivermos sorte, essa morte do corpo adolescente que se transformou em adulto, poderá “enterrar as dores” das fases anteriores e viver a fase da maturidade de forma satisfatória.

Mas a maioria de nós carrega todos os possíveis traumas, desilusões e decepções e atravessamos a vida adulta sofrendo as consequências de nossa vida anterior.
E assim sucessivamente, até nos tornarmos adultos e estarmos agora habitando um corpo mais forte, seguro, amadurecido.
Muitos se casam, tem filhos e tem uma vida cheia de situações que exigem sua atenção constante.

Porém, nossa alma carrega muitas vezes processos de carência, falta de auto estima, que podem dificultar bastante nossa integração entre a mente e o coração. E assim, as famílias também costumam ser bastante problemáticas pela falta de maturidade e de conhecimento de si mesmos e da falta de capacidade de amar dos pais.

E como é difícil libertarmos nossa alma de todas essas emoções tão pesadas, que podem por vezes ficarem escondidas nos meandros de nossa personalidade, mas que não conseguem simplesmente perceber que os pais também eram falhos, e o perdão e a compreensão é a única coisa que nos libertará de nosso karma já vivido.

E que Amor, de fato, só recebemos do coração de Deus, Pai de todos nós.

A velhice, em geral após os 60 anos, irá nos proporcionar um corpo pouco a pouco mais limitado, e essa situação nos permitirá (se já tivermos amadurecido nossas emoções!) a ver a Vida sob novos ângulos, libertos das ilusões e sabedores que a verdadeira felicidade mora e se mantém em um coração sábio, humilde, amoroso e satisfeito dentro de si mesmo.
O outro, apenas refletirá esse amor que já vive em seu coração.

E só então, você estará de fato preparado(a) para entregar seu corpo, palco de tantas transformações de suas emoções e mente,  ao interior da terra (representado pelo útero materno) e deixar sua alma voar livre e desapegada para o Mistério Maior.

Quantas vidas você teve a chance de viver ao desapegar-se do passado de cada fase, aprendendo as lições e a confiar nesse Poder que te proporcionou tanto!

A verdadeira felicidade só será conhecida de fato por aqueles que forem renascendo com o corpo até voltarem à sua origem.

Sua alma é lapidada com as experiências até brilhar como um cristal puro.

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