Maria Madalena

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Meu olhar não conseguia parar de fixar-se nele.
Algo inexprimível tomou conta de meu ser e já não havia espaço nem tempo, apenas uma sensação de proximidade e união que me preenchia.
Era a primeira vez que eu O via, mas a sensação era a de que já éramos velhos conhecidos.

Meu povo estava acostumado com rabinos e profetas. Somos essencialmente religiosos e a prática dos ritos de nossa religião é o mais importante para a maioria de nós.

Sua voz forte e suave falava de forma pausada. Suas palavras eram muitas vezes incompreensíveis e usava de comparações para nos explicar Sua doutrina.
Não sei se era Seu olhar firme, sua forte presença carismática ou Suas palavras. Provavelmente todo esse conjunto. Mas em Sua Presença éramos tocados em nossos corações de forma profunda.Ele nos acalmava.

Naquele momento eu senti que eu havia encontrado tudo que eu buscava. Mas eu não sabia que amar é um longo caminho…Tão longo que eu levaria muitas vidas até que eu pudesse entendê-lo e entrar para o mundo mágico para o qual Jesus havia me chamado.

Minha opção havia sido verdadeira . Quando nos falamos, Ele fixou seu olhar nos meus olhos e disse alguma palavras que me seguiriam para sempre: Não há nada maior do que Eu. Ele se referia a Deus, Seu e Nosso Pai.

Em cada vida eu aprendi um novo aspecto de Sua doutrina.

Eu já pressentia que só quando eu fosse semelhante a Ele é que poderia compreendê-Lo plenamente.
Chegará um dia em que não adorareis nem em um templo e nem em uma montanha. Mas em espírito e verdade.

Dentro de nós, em nosso coração, um templo sempre presente, onde estivéssemos. Aí é o Reino do Amor.

Conversávamos muito nós dois. Na verdade, eu só ouvia. O quê dizer diante de tanta sabedoria, diante de alguém que conhece todos os nossos recônditos?
Ao colocar Seus olhos nos nossos tornávamos como livros abertos para Ele.

Para o judaísmo, nós mulheres éramos excluídas, porque o Reino era dos homens.
Mas Ele me disse que chegaria um dia quando seríamos como anjos do Céu e que na nova dimensão não haveria casamento. Mas também me disse que os seres humanos iriam levar muito tempo (milênios?) até compreender essa verdade.
E disse ainda que quando percebessem, ainda assim a grande maioria persistiria na ilusão, puramente por fraqueza.

Quanto a mim, eu passaria por muitas provas e provações, mas eu chegaria no Reino antes de todos. Simplesmente porque eu demonstrava amar ao Pai mais do que todos os seus discípulos homens.
Nesse dia Ele também me disse que eu seria a primeira a vê-Lo quando ressurgisse dos mortos.
Um frio passou pela minha espinha. Eu O amava tanto! Como Ele poderia morrer?
Seus olhos ainda assim transmitiam confiança e Amor.

Em uma de minhas encarnações fui uma mística de grande quilate. Avancei muito no caminho espiritual, à custa de grandes negações de meu corpo material.
Nesta, eu deveria equilibrar esses mundos, integrá-los e transcendê-los.
De corpo e alma, eu deveria entrar na dimensão ensinada por Jesus.

Meu despertar foi lento. Eu já tinha 22 anos quando se abriu para mim a percepção e a convicção de que eu tinha um instrumento valioso e de duração curta: meu corpo.

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