II. Yin e Yang. Fu Hsi. Lao Tsé. Kung Fu Tzu (Confúcio). Buda.
Podemos imaginar o início de nossa civilização, e as condições primitivas que as pessoas daquele tempo enfrentavam?
A morte os rondava constantemente. Pouco protegidos em relação às intempéries e às doenças, quando sobreviviam a elas costumavam ficar com severas sequelas.
A mortalidade infantil era freqüente. Com isso, com tantas perdas de vidas, todos eram muito marcados pelo sofrimento.
Sem códigos de conduta, sem modelos a seguir, deveriam ser extremamente rudes uns com os outros, pouco sensíveis, diante das dificuldades imensas que enfrentavam para viver. Deviam portanto sentir grande desconforto físico.
Penso que a expressãofulano está tão bem que não quer nem morrer deve ter sido inventada em um tempo onde viver era extremamente difícil.
E compreendi a importância dos mestres espirituais que começaram a dar exemplos de compaixão, de justiça, ensinando aquelas pessoas rudes a se verem como semelhantes, com sentimentos, com sensibilidade.
Os mestres “levedaram a massa”, semearam os sentimentos que nos tornaram cada vez mais humanos.
Porém, nossas ações precisam acompanhar nossos conhecimentos já adquiridos.Será que aprendemos a viver como irmãos?
Não basta saber, é preciso usar nosso conhecimento
para criarmos melhores dias sobre a Terra.
E voltei-me a refletir novamente nos mestres que já estiveram entre nós…
E vi que os mestres são como estrelas do céu que desceram à Terra, para iluminar o nosso espírito.
A trajetória da Sabedoria no Planeta Terra através do Tempo e do Espaço
O Conceito de Yin e Yang
A Sabedoria espiritual iniciou-se no Extremo Oriente, na China, talvez com o sábio Fu Hsi.
O conceito de Yin e Yang, forças opostas e iguais, e em constante movimento de mudança provavelmente brotaram nessa época.
Tradicionalmente, a melhor definição de Yin e Yang são os dois lados de uma montanha que em determinadas horas do dia um lado é banhado pela luz solar — lado Yang — e o outro lado está na sombra — lado Yin –; com o decorrer das horas a posição de inverte: o lado Yin fica ensolarado – torna-se Yang.
E o lado Yang se torna sombreado — vira Yin.
Pensando nisso, vi novamente a imagem das duas metades da Terra, os Hemisférios Norte e Sul, onde as estações são opostas — quando aqui é verão, é inverno no Hemisfério Norte. E vice-versa.
Essa imagem coube perfeitamente para exemplificar o Yin e Yang, como já mencionamos anteriormente.
Na vida, as situações também têm essa alternância: quando caminhamos muito por um só caminho, ele tenderá ao equilíbrio nos levando ao oposto dele até encontrarmos nosso centro.
Lao-Tsé
Equilíbrio lembra Lao Tsé e Kung Fu Tzu [Confúcio], mestres na compreensão dessas duas forças opostas e iguais — das polaridades — retirando das comparações com o que existe na Natureza, os conceitos para chegarmos até ele.
Assim, no século VI a.C., o sábio chinês Lao Tsé nos lega o conceito do Tao — o caminho com características únicas que cada um de nós, que também somos seres únicos, deve trilhar para atingirmos nossa realização como pessoa, nossa “missão” .
E define equilíbrio: um quadrado sem pontas, um octógono. O Ba-guá.
O Ba-guá ( que significa oito lados ) procura harmonizar a vida do homem na Terra com as leis do Universo.
Nos ensina a sermos preventivos diante das circunstâncias, a compreendermos os sinais que nos cercam antes que as mudanças ocorram em nossas vidas.
Assim, fica mais fácil adquirirmos serenidade diante dos acontecimentos.
Estarmos no comando de nós mesmos.
Sabermos para onde vamos, sem deixar de sentir e fluir com a Vida, ao mesmo tempo.
Acredita que somos co-criadores de nossa realidade.
Prega uma completa solidariedade entre o homem e a Natureza.
Quando penso no tempo que já transcorremos desde esses ensinamentos, percebo com tristeza como é difícil para nós enxergarmos e praticarmos essas verdades, que eles viam tão claramente.
Confúcio
É dessa época Confúcio, considerado um dos maiores sábios que já existiu.
Nasceu no Estado de Lu, Província de Shandong, na China, em 551 a.C. Morreu em 479 a.C.
Aos 22 anos começou a ensinar, segundo dizia, a maneira de ser feliz.
Ele ensinava que o comportamento individual se deve exteriorizar numa atitude compreensiva e amorosa perante o próximo.
Também que a sinceridade é o princípio e o fim de todas as coisas, sem sinceridade nada é possível. Era prático: ter benevolência, humanidade, bondade, amor era a melhor maneira de ser feliz.
Dizia que o sábio não se preocupa por não ser conhecido pelas pessoas, e sim por não conhecer as pessoas.
Ensinava: Aquilo que sabemos, saber que o sabemos; aquilo que não o sabemos, saber que não o sabemos: Isto é o verdadeiro saber.
Diante dessa colocação, pensei que a frase de Sócrates, Só sei que nada sei, ao invés de nos remeter à pesquisa pela razão, que deve ter sido seu intuito, nos levou a duvidar de nossas certezas, fruto de nossas experiências pessoais, portanto, coisas que sabemos, como ensina Confúcio.
Voltando aos sábios chineses, o fruto desses conhecimentos e da filosofia taoísta deram origem ao livro clássico oriental: I Ching, o Livro das Mutações.
Buda
Nesse ponto de minhas reflexões, fui levada a pensar em outro grande mestre, o mestre do desapego, e que diz para que sejamos como o sândalo, que perfuma o machado que o corta…
O mestre da conquista da serenidade diante dos acontecimentos que a vida nos traz.
E que nos ensina a ter cuidado com os nossos pensamentos:
Se um homem fala ou age com mau pensamento
O sofrimento o segue
como as rodas seguem as patas de boi
que puxa o carroSe um homem fala ou age com o pensamento puro,
A felicidade o segue
Como sombra que nunca o abandona
Estou me referindo a Buda. Na Índia, por volta de 560 a.C, surge Buda, que é também o nome que designa Siddhartha Gautama após ter ele atingido a iluminação (bhodi).
É então que começa a pregar sua doutrina em Benares e no Sudeste da Índia.
No budismo, aquele que supera todos os desejos, eleva-se no conhecimento perfeito da verdade e ilumina-se.
Vi nesse momento que a mensagem para uma vida feliz é transmitida sob vários ângulos, mas a verdade é o fim último de todas, propiciando ao ser humano atingir o estado para o qual é constantemente chamado: a plenitude e a alegria interna, religando-nos amorosamente com a Vida.
Stela Vecchi
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Stela Vecchi é escritora e consultora de Feng Shui.
Autora do livro Feng Shui Lógico (Ícone Editora, SP, 2004), ministra cursos de Feng Shui Lógico, técnica que favorece a felicidade porque deixa sua casa harmoniosa e plena de energia benéfica.
Autora do livro No Céu do Hemisfério Sul - Brasil, um Novo Começo, onde analisa a bandeira brasileira de um ponto de vista inédito.
Em seu terceiro livro, O Caminho da Sabedoria, através de uma história vivida em Machu Picchu, Stela nos faz refletir sobre o Amor e sobre o verdadeiro significado dos relacionamentos amorosos em nossa vida.
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