IV. Os primeiros cristãos. O Pai-Nosso. Divisão do Tempo: a.C e d.C. O símbolo da Cruz.

Seguiu-se então o trabalho dos apóstolos e a perseguição do cristianismo pelas autoridades. Em Roma, os primeiros cristãos encontravam-se em subterrâneos, chamados catacumbas, onde partiam o pão durante os encontros, perpetuando o gesto de Jesus na noite em que foi preso. O primeiro Papa foi o apóstolo Pedro, que teve seu nome mudado — por Jesus — de Simão para Pedro, que significa pedra, simbolizando o alicerce da comunidade cristã que nascia. Durante as perseguições de Nero (o Imperador de Roma de 54 a 68 d.C) aos cristãos, muitos foram atirados aos leões, no Coliseu de Roma, ou sofreram torturas e mortes horripilantes, como culpados por tudo de ruim que acontecia na época. Também Pedro, o primeiro papa, foi condenado à morte de cruz. Só que ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, porque não se sentia digno de morrer da mesma forma que seu mestre.

Esses primeiros cristãos deram prova de muita confiança e coragem. Cada situação tiveram que enfrentar para que pudessem levar adiante o trabalho de Jesus Cristo!
Os imperadores romanos, devido à sua barbárie, foram os grandes inimigos dos cristãos. Nero, um dos mais cruéis, mandou matar a própria mãe — que por sinal também era pessoa muito desumana. Que atos esperar de uma pessoa com esses sentimentos?

E refleti que pessoas que agem ou agiram assim são extremos de personalidades “cegas”, sem percepção de que se prejudicam muito também com esses atos.
Mas penso que os exemplos dos cristãos foram modificando a visão das pessoas, porque devia chamar a atenção naquele mundo tão rude, pessoas capazes de atos tão heróicos e desprendidos, exibindo uma serenidade desconcertante diante dos sofrimentos que lhes eram infligidos.

Fazendo um paralelo entre os dias de hoje, talvez a barbárie esteja em seu auge: quando permitimos que haja tanta desigualdade entre nós, que tantas crianças morram de fome, que tantas pessoas jazam nas trevas da ignorância, que se cometa tantos crimes contra a natureza… Que o dinheiro seja o maior valor entre as pessoas, e não a vida…

O pai-nosso

Muitas vezes refleti sobre a oração do pai – nosso. Achava linda a forma como Jesus nos ensinou essa oração e como ela deve ser rezada: no silêncio do nosso quarto, com a porta fechada, isto é, no silêncio de nosso coração. É assim que oramos ao nosso Pai. E em espírito e verdade.

Santa Tereza d’Ávila dizia que devíamos contemplar cada verso, que era preferível rezar um pai-nosso pausadamente do que o repetirmos como papagaios, sem refletir no que estamos dizendo. Dizia que para a oração ter valor ela devia ser acompanhada pelo coração.

Esta versão do pai-nosso, que recebi há alguns anos, dizem que é uma tradução direta do aramaico para o português, sem interferências, e segundo a fonte, a oração está escrita numa pedra branca de mármore, em Jerusalém, na Palestina, no Monte das Oliveiras, na forma que era invocada por Jesus. O aramaico era um idioma originário da Alta Mesopotâmia, (séc. VI a.C.) e a língua usada pelos povos da região. Jesus sempre falava ao povo em idioma aramaico.

Pai-Mãe, respiração da Vida,
Fonte do som, Ação sem palavras, Criador do Cosmos!
Faça Sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós
Para que possamos torná-la útil.

Ajude-nos a seguir nosso caminho
Respirando apenas o sentimento que emana do Senhor.
Nosso Eu, no mesmo passo, possa estar com o Seu,
Para que caminhemos como Reis e Rainhas
Com todas as outras criaturas.
Que o Seu e o nosso desejo sejam um só,
Em toda a Luz, assim como em todas as formas,
Em toda existência individual, assim como em todas as comunidades.

Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós,
Pois assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo.
Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iluda.
E nos liberte de tudo aquilo que impede nosso crescimento.

— Talvez fosse assim que os primeiros cristãos rezavam… – considerou Kávula. E você, já pensou como seria o pai – nosso na linguagem dos nossos dias?
— Pensei. Talvez assim:

Criador da Vida e Nosso Pai
Que vive e se manifesta no Amor Verdadeiro,

Reverenciada e Amada seja Sua Obra e Seu Poder,
Para que Seu Reino de Amor se instale dentro e fora de nós.

Seja conhecida e respeitada Sua Vontade, que é o Amor entre nós, em todo tempo e lugar, no Planeta Terra e na Vida Universal que o sustenta.

Dá-nos a cada dia o que necessitamos para viver com dignidade e crescimento.
Pai, dá-nos também a força e a coragem para vivermos no Amor por Ti, por nós e por nossos irmãos.

Dá-nos sabedoria para tirarmos as raízes do mal dentro de nós, que são a irritação e a mentira, e proteja-nos contra o mal que possa existir fora de nós.

Não leves em conta nossas limitações e ajuda-nos a compreender o tempo e o momento de nossos semelhantes, para assim atingirmos nossa mais pura essência, e o reino dos céus se revelar plenamente em nosso coração.

Abre nossos olhos e nossos ouvidos para que busquemos sempre o Bem Maior em todas as situações.
Quando agirmos assim, contribuiremos para trazer a harmonia do Céu para a Terra.
Amém

Cristo dividiu o tempo – antes de Cristo e depois de Cristo

Refletindo nessas palavras, Kávula perguntou-me:
— Quando se modificou a situação dos primeiros cristãos ?

— O quadro foi alterado no ano de 327 pelo imperador Constantino I, o Grande
(288 – 337 d.C), Imperador do Sacro Império Romano, e quem instituiu o Calendário Cristão. Seu nome em latim é Caius Flavius Valerius Aurelius Constantinus, e o que vou relatar são reminiscências de minha lembrança — um passeio pelos fatos — sem rigor histórico. Quando o Império Romano dividiu-se em quatro partes, Constâncio Cloro, pai de Constantino, foi eleito monarca de uma delas, que compreendia as Gálias, Espanha e Bretanha. Porém, o Imperador Maximiniano, que lhe oferecia a coroa, impunha-lhe uma condição: ele casar-se com sua filha, Teodora. Constâncio já era casado com Helena, uma mulher de origem plebéia e que não podia ser rainha.O casal tinha um filho de 20 anos, o Constantino.
Como já era casado, para obter a mais alta dignidade do Império, divorciou-se de Helena e casou-se com Teodora, a filha do Imperador.
— É, o poder costuma falar mais alto. Como reagiu o filho, Constantino?

— A dor do Constantino foi muito profunda, ao considerar o desprezo com que sua mãe fora tratada e nem participou da cerimônia que investia o pai na nova posição. Mas a vida dá realmente muitas voltas. Veja o que aconteceu então: Constantino tornou-se soldado e, mesmo sem a proteção do pai e unicamente por suas ações e merecimentos logo se tornou um dos mais famosos capitães do século. Fez as pazes com o pai e em 306, quando Constâncio morreu, os soldados de Constantino o proclamaram imperador de Roma.

Quanto à Helena, o marido a rejeitou por ela ser plebéia e não poder ser rainha. O filho, após ser proclamado imperador, a elevou à dignidade igual à sua e tornou-a imperatriz.

— Esse caso é um exemplo da Roda da Fortuna em ação durante uma encarnação…

— É mesmo… Constantino teve que empreender várias batalhas antes de estabelecer a paz e a ordem no Império Romano.
Durante uma delas, o imperador teve uma visão: enxergou no céu uma cruz de fogo na qual havia estas palavras: In Hoc Signo Vinces, que significam: Com Este Símbolo Vencerás. Constantino considerou tal visão como uma visão de Deus, abraçou a religião cristã e adotou a cruz em seu estandarte.

— Esse fato é semelhante à visão que São Paulo teve na estrada de Damasco. E não deixa de se reportar à Cruz de Estrelas, disponível para quem quiser ver.

O símbolo da Cruz

Isso mesmo. Nós também temos a cruz em nossa bandeira: a Constelação do Cruzeiro do Sul é uma Cruz.
— Uma bela cruz, feita de estrelas. Mais adiante veremos que a Cruz é o sinal de união entre tudo e todos, assim, o fato de Constantino tê-la enxergado no Céu provocou a transformação, inclusive com a instituição de uma nova contagem para o tempo.

Voltando ao nosso assunto, desde então o Império Romano, do qual Constantino era senhor absoluto, adotou o cristianismo como religião oficial. Esta conversão determinou a de Helena, que fez uma peregrinação à Terra Santa, e trouxe pedaços da cruz em que Cristo foi flagelado para Roma. Foi considerada santa.

Depois que Roma aceitou a fé cristã, tudo correu de forma mais amena, claro. E também tivemos os exageros do lado cristão, quando muito mais tarde, em nome de Cristo houve atrocidades como Cruzadas, a Santa — imagine! — Inquisição, a perseguição a grandes cientistas e filósofos… Na realidade, em nome de Cristo se cometiam atos anticristãos.

— O movimento Yin e Yang. Os lados se alternam.
— Por isso que o equilíbrio, a verdade, a tolerância, o bom senso são tão fundamentais: são eles que nos preservam dessas oscilações, porque quando a energia caminha muito por um lado, depois ela terá que contrabalançar. A cruz também representa o equilíbrio entre o mundo material e o espiritual.

Stela Vecchi é escritora e consultora de Feng Shui.
Autora do livro Feng Shui Lógico (Ícone Editora, SP, 2004), ministra cursos de Feng Shui Lógico, técnica que favorece a felicidade porque deixa sua casa harmoniosa e plena de energia benéfica.
Autora do livro No Céu do Hemisfério Sul – Brasil, um Novo Começo, onde analisa a bandeira brasileira de um ponto de vista inédito.
Seu último livro, O Caminho da Sabedoria, é sobre o amor e sobre o verdadeiro significado dos relacionamentos amorosos em nossa vida.

Visite também o site: www.fengshuilogico.com

About Stela Vecchi

Estudiosa desde 1976 de Espiritualidade, Stela Vecchi encontrou na técnica oriental Feng Shui uma poderosa ferramenta para transformar a realidade, atraindo as melhores soluções para todas as fases de nossa vida. É a criadora de uma nova perspectiva de Feng Shui, o Feng Shui Lógico, que defende a adaptação do Ba-guá da Seqüência do Céu Posterior para o Hemisfério Sul. Sua teoria é baseada nos trigramas (e sua correlação com as estações do ano), e na mesma função das Estrelas-guia do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul: Polaris e Alpha-Crux. O Feng Shui Lógico criou o Método Solar das Quatro Estações, método inédito e válido nos dois hemisférios. Essa perspectiva compreende a profunda base filosófica chinesa e atualiza no Tempo e no Espaço essa importante ferramenta para criar harmonia e prosperidade. Autora dos livros Feng Shui Lógico (Ícone Editora, SP, 2004); No Céu do Hemisfério Sul, Brasil um Novo Começo, onde analisa a bandeira brasileira de um novo ângulo. O livro é dedicado à Educação; e O Caminho da Sabedoria, um livro sobre o AMOR. Suprarreligiosa, entende que estamos diante do desafio de unir tudo e todos no Amor-Cósmico, uma nova forma de entender e praticar o Amor: no equilíbrio e no respeito às diferenças. Ministra cursos de Feng Shui Lógico (Básico, Avançado e Profissionalizante). É consultora de Feng Shui Lógico e astróloga.
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