III. O Antigo e o Novo Testamento. Jesus Cristo.

Estamos nos momentos finais da Era Cristã, que iniciou a nova contagem de tempo desta civilização. Numerosas sementes através dos séculos brotaram desde Cristo porém sua compreensão ainda é limitada, gerando por isso divisão mesmo entre os que se dizem cristãos.

Para compreendermos o início da Era Cristã precisamos conhecer seus primórdios. Na Antigüidade, em Israel, no Oriente Médio, encontramos um povo formado por indivíduos que acreditavam em um Deus Criador de toda a Criação. O Deus da Vida.
Enquanto os povos antigos eram politeístas e adoravam deuses que fabricavam conforme sua imaginação,o povo judeu evoluiu através do judaísmo fundado por Moisés, que foi um homem de grande visão e reflexão. Foi o fundador e o legislador da religião judaica (ou israelita), que, em seu tempo, gerou as condições necessárias para que um dia a vida de Jesus pudesse adentrar em nosso mundo.
Moisés gostava do silêncio, e em um de seus retiros espirituais, no Monte Sinai, recebeu as “Dez tábuas da Lei“, com os dez mandamentos, código que iniciou o ser humano em uma nova ordem de consciência.

Nossa visão em relação à realidade sempre vai se aperfeiçoando, se sutilizando, e nosso código também. Quando somos irresponsáveis, precisamos aprender a responsabilidade. Quando já somos responsáveis, a nossa liberdade diante das circunstâncias aumentam, junto com nossa responsabilidade por elas, claro.
Ser livre e administrar essa liberdade é como ter nas mãos uma faca afiada: para uma criança, é um perigo; para quem sabe manejar, pode ser um grande instrumento de auxílio. Por outro lado, só somos livres quando não julgamos nem condenamos ninguém, nem a nós mesmos, porque “Só Deus sabe quem tem menos de seu peso”… Só conhecendo todas as variáveis que cercam uma vida é que teremos condições de emitir um parecer sobre seu comportamento.
Qual o grau de maturidade, a idade astral de uma alma? Precisamos dar frutos conforme nossa capacidade. Em uma analogia, quantos que poderiam ser carvalhos frondosos entre nós que não chegam a arbustos por comodismo, por exemplo.
E não podem então sentir a delícia dos que alcançam sua verdadeira natureza.
O Sol doa sua luz e calor, a Lua nos nutre, as árvores também são úteis…
E nós? Como colaboramos de fato com o espetáculo que a vida continuamente nos prepara ?

Crescer em liberdade significa distribuir nosso conhecimento adquirido àqueles que não enxergam ainda o que já vemos: auxiliar na evolução de seus semelhantes é o maior trabalho que um ser humano pode alcançar. E com a consciência de que não fazemos mais do que nossa obrigação: mas apenas estamos devolvendo à Vida o que ela nos dá. Quanto mais meditamos em tudo isso, mais nos encanta a perfeição das leis divinas.

Voltando a Moisés, ele nasceu no Egito, durante o cativeiro dos judeus, e foi educado na corte do faraó. Recebeu a missão de libertar o povo judeu dos egípcios e guiá-lo através do deserto para a Terra Prometida.
Depois dele, através dos tempos, sucederam-se os profetas, homens profundamente religiosos, que oravam com fervor. Durante suas orações recebiam orientações divinas e as transmitiam ao povo. Suas palavras exortavam à justiça, à verdade, a uma vida reta. Associavam os problemas que o povo atravessava aos castigos divinos por má conduta do mesmo povo.

Percebi que na pedagogia divina, esses foram tempos de aprendizagem pela dor para a humanidade. Muitos de nós, por agirmos de forma irresponsável, ainda estamos vivendo tempos de aprendizagem pela dor; mas muitos conquistaram, através de suas condutas coerentes, na verdade de suas vidas, o direito de aprender pelo amor.

O rei Salomão introduziu em nosso planeta um novo espírito: o espírito de Sabedoria. E é esse o espírito que precisamos buscar em nossa vida para que de fato toda a história nos traga a compreensão e nos leve a um novo ponto espiritual, onde adoramos ao Pai em espírito e verdade. Nosso planeta espera pelos verdadeiros adoradores do Pai Criador.

A época atual é um período belíssimo que vivemos no campo do espírito. Talvez o mais belo desde os tempos em que o próprio Jesus viveu de forma corporal entre nós.

Já pensou, Ele, entre nós?

Sabemos que Ele viria novamente. Talvez o momento tenha chegado…

Vejamos o caminho que a Sabedoria percorreu em nosso planeta, através dos tempos…

Ainda sobre o Antigo Testamento, Isaías previu com exatidão o nascimento de Jesus, sua missão e seu sofrimento gerado pela cegueira espiritual de seus contemporâneos. Poderia ter tido um final diferente não fosse essa cegueira. Não se teria perdido todo o conhecimento absorvido pelo povo judeu desde Moisés. Devido a isso, hoje a confusão sobre os conhecimentos espirituais é imensa.
Malaquias, o profeta do último livro do Antigo Testamento, termina seu texto dizendo que Elias, um dos maiores profetas, viria novamente.
E Jesus deu a entender que Elias teria vindo através da missão de João Batista, que reconheceu a envergadura espiritual de Jesus. Muitas pessoas vêem nesse fato uma referência à teoria da Reencarnação. A Cabala judaica ensina a transmigração das almas através dos tempos com a finalidade de aprendizado. Somos filhos de Deus, mas entrarmos nessa verdade pode levar muitas vidas…

A importância do nascimento de Jesus Cristo para a vida humana é evidente: marca o centro da História, que foi dividida para a contagem do tempo em a.C (antes de Cristo) e d.C (depois de Cristo).

Jesus Cristo

O nascimento de Jesus foi cercado de grande simplicidade. O toque de majestade ficou por conta da estrela cometa (já se pensou na hipótese de ter sido uma nave extraterrestre) que guiou três reis magos do Oriente, símbolos da cultura, nobreza e riqueza que certamente Jesus Cristo, na plenitude de Sua Missão como Filho de Deus, teria direito.
Mas a mensagem de Cristo é universal: por isso escolhe a pobreza, coeficiente comum à grande maioria dos seres humanos.

Mago… Três Reis magos… Nunca havia pensado nisso dessa forma, mas que interessante: a palavra mago significa pessoa que conhece coisas ocultas, que possui poderes sobrenaturais. Portanto, há uma aceitação dessa área quando são magos que recebem a informação e saem à procura do menino, para adorá-lo.

Por quê colocamos tantas barreiras dentro de nós? Para os puros, todas as coisas são puras…
Tudo que Deus faz é bom. Conhecer coisas ocultas não tem problema, elas estão aí para quem quiser buscá-las. O problema está no uso que se faz desse conhecimento. É o ponto que já mostramos: agir com coerência e com responsabilidade em relação ao que se sabe.
Outro grande preconceito que sentimos nessa época foi em relação às mulheres. Éramos vistas como coadjuvantes da Vida, não protagonistas. Pensei então em Maria, Mãe de Jesus.
Entendi que ela foi capaz de preencher os requisitos necessários à sua grande missão: possuía em si visão, pureza, humildade, aceitação aos acontecimentos desejados por Deus, coragem para vivê-los na paz. E uma enorme paciência, aliada à capacidade de ação.
Porém, quando alguém disse para Jesus que haviam sido benditos o ventre que o acolheu e os seios que o amamentaram, o que Ele respondeu?
Que felizes eram os que acolhiam e praticavam a palavra de Deus.
E quando lhe disseram que sua mãe e irmãos estavam lhe buscando, qual foi sua resposta?
Que sua mãe e irmãos eram os que ouviam e praticavam a palavra de Deus.

Olhei para Kávula, silenciosa ao meu lado e compartilhei meus pensamentos com ela. Ela respondeu-me dizendo:
– Já pensei muito nessas palavras, como sei que você também já pensou. Ele também disse que os que O amam guardam suas palavras, isto é, conhecem e meditam sobre elas. Nos leva a deduzir que para o Pai, todos nós somos importantes e bem-aventurados, felizes. A condição é conhecer sua voz e ter a intenção de conhecê-la cada vez mais, aperfeiçoando seus significados dentro de nós, evoluindo com a semente que brota em nosso interior. O processo dentro de nós de reconhecer e acolher a voz divina é comparado à semente de mostarda, tão pequenina, e que se torna depois de semeada a maior planta em uma horta, atingindo de 3 a 4 metros de altura, a ponto de as aves se reunirem à sombra de seus galhos.
Se nos dizemos cristãos, mas não conhecemos ou não pensamos no sentido de suas palavras, construímos nossa casa interior, nossa personalidade, em cima de areia, e quando vierem os ventos adversos, nossa personalidade, que não havia sido construída sobre rochas firmes, encontra-se à mercê de depressões, de fragilidades, de ilusões e não recebemos a força divina disponível para quem soube “construir” sua casa, seu Ser. Existe uma passagem na Bíblia, que encontrei semelhante no I Ching, o Livro das Mutações, (será que Jesus leu esse livro?) onde Ele diz que quando você vai enfrentar um exército inimigo, é melhor ter prudência e conhecer sua força de ação contra ele. Porque se você não estiver bem guarnecido, é melhor tentar fazer a paz com ele, para não ser destruído. Quer dizer que conforme nosso espírito cresce, enfrenta circunstâncias mais difíceis, que são as provas. Em seu cuidado por nós, Jesus aconselha-nos a só enfrentar essas forças contrárias se estivermos preparados.
Como sempre, admirei as colocações de minha amiga. E concordei com ela.

Silenciei-me e segui o curso da Sabedoria, dentro de mim…

Com o nascimento de Cristo, a religião judaica sofre uma grande transformação. Muitos judeus O aceitam, mas muitos O rejeitam. Ele foi anunciado como um sinal de contradição, mesmo. Ao atingir a idade para o cumprimento de Sua missão, Jesus encontra uma sociedade arraigada às tradições, a rituais, constatando a falta da pureza de sentimento que deveria acompanhar essas atitudes. A hipocrisia, isto é, os atos destituídos de intenção sincera, eram muito comuns. Muitos agiam buscando apenas a aparência de suas ações, o efeito que elas provocavam sobre as pessoas, o que diziam e pensavam sobre eles. Na verdade, esses não estavam nada preocupados em relação a Deus, mas voltados para si mesmos (exatamente o contrário da visão de São Francisco, muitos séculos depois, quando afirmou que um homem vale pelo que ele é diante de Deus, e nada mais).
Jesus expressa isso também quando elogia Natanael, dizendo que ele era um verdadeiro israelita, em quem não se encontrava malícia nem má-fé, isto é, que pensava e agia com sinceridade. Ensina-nos que Deus quer corações puros, prudentes e sábios como serpentes, simples como pombas, misericordiosos, mansos, humildes.
Mas acrescenta que também os que têm fome e sede de justiça serão saciados.
Dessas Suas orientações, deduzimos que o discernimento é a grande conquista humana: só assim poderemos separar o joio do trigo, com equidade.
Percebi por que em algumas situações ele ficava tão indignado. Ele percebia as segundas intenções dos corações e queria corrigir isso. Porque não são os saudáveis que precisam de médico: Ele veio curar os que necessitam de cura.
Jesus introduz a lei de maior magnitude humana, o ser humano íntegro: todos nossos atos devem ser coerentes com nosso coração. Condena incansavelmente a mentira e a falsidade e mostra o valor dos pensamentos: o mal está dentro de nós também.
A ação deve vir acompanhada de compaixão.
Nos dá mais informações sobre a natureza do Pai: ele quer um reino de compreensão, justiça e paz para a humanidade. Nos ensina que antes desse reino se concretizar é preciso “vencer as ilusões do mundo, com suas armadilhas”. Para isso as armas são a verdade de nossa vida e a coragem.
Coloca como grandes empecilhos o apego, a falta de confiança no Pai, o medo. É a confiança em Deus e nele que move montanhas, move os imensos obstáculos que precisam ser transpostos para recebermos o grande prêmio: a liberdade de ser.
Nas dificuldades, dá o remédio: se você quiser ir atrás d’Ele no caminho que Ele abriu, negue-se a si mesmo quando sua personalidade for contra seus desejos maiores de paz e união, isto é, carregue também a cruz que ele carregou: a cruz da real união entre tudo e todos.
Denuncia a avareza e a ganância: dai e ser-vos-á dado, e diz que a pessoa não precisa preocupar-se exageradamente com sua subsistência, porque o Pai tem cuidado por cada um de nós: Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, que tudo o mais vos será dado por acréscimo.

Ele também nos ensina sobre aquele homem que vê seus celeiros cheios, e reflete consigo mesmo: ah, que bom, agora posso descansar… estou sossegado, com provisões para muito tempo! Jesus completa que ainda nessa noite a alma do homem será levada, portanto seu trabalho foi em vão: é a questão da prioridade da Vida que Ele coloca.

A verdadeira revolução é a interior

Com Suas palavras e ações, Jesus nos mostra que a verdadeira revolução acontece dentro da própria pessoa, dentro de cada um. A maioria dos judeus não O entendeu. Estavam sob jugo do Império Romano e queriam algo material, imediato. Jesus insistia na necessidade de se olhar para dentro, para nossas reais intenções. Eles ainda eram cegos para essa realidade, ainda estavam nas aparências de suas vidas. Para adaptar-se à visão cristã eles teriam que transformar suas instituições religiosas e a sociedade judaica girava em torno disso, por isso acharam mais fácil condená-lo à morte, tirá-lo de seu meio.
Sabendo que os frutos de seu trabalho de alimentar espiritualmente os seres humanos seriam muito mais fecundos depois de sua morte, disse que se o grão de trigo não morrer — o trigo faz o pão, alimento milenar do homem — fica ele só, porém se morrer dará muito fruto.

Stela Vecchi

Stela Vecchi é escritora e consultora de Feng Shui.
Autora do livro Feng Shui Lógico (Ícone Editora, SP, 2004), ministra cursos de Feng Shui Lógico, técnica que favorece a felicidade porque deixa sua casa harmoniosa e plena de energia benéfica.
Autora do livro No Céu do Hemisfério Sul – Brasil, um Novo Começo, onde analisa a bandeira brasileira de um ponto de vista inédito.
Seu último livro, O Caminho da Sabedoria, é sobre o amor e sobre o verdadeiro significado dos relacionamentos amorosos em nossa vida.

Visite também o site: www.fengshuilogico.com

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