São Francisco de Assis e o Cântico das Criaturas
Por volta de 1225, em plena Idade Média, a Terra iluminou-se com a vida de São Francisco (1182 – 1226), o poverello (pobrezinho) de Assis, na Itália.
São Francisco é uma das pessoas mais amadas depois de Jesus. Sua história, sua personalidade, seu carisma, nos fascinam. Foi ele quem encenou o primeiro presépio vivo, e depois essa tradição se firmou entre nós. Não quis ser padre, enfrentando tudo e todos para ser fiel à uma nova maneira de ser cristão. Movido pelo intenso amor por Jesus Cristo, deixou seus bens e casou-se com a Pobreza. Fundou a Ordem dos Franciscanos. Clara, a bela e fiel amiga, tornou-se a fundadora da Ordem das Clarissas, a ala feminina franciscana: dona de personalidade ímpar, também enfrentou a ira paterna para seguir sua vocação. Os seguidores de Francisco se tornaram tão numerosos - a população nessa época na Itália em sua maioria queria ser franciscana - que ele viu que poderia criar um problema social. Então, para atender aos diversos estados de vida das pessoas que queriam segui-lo, inclusive casados, ele instituiu a Ordem Franciscana Terceira, destinada aos leigos.
Foi o precursor do amor pela natureza e pelos animais ao considerar os elementos naturais como a terra, a água, o fogo, o Sol, os animais, como nossos irmãos. Ganhou o título de protetor dos animais e o santo da Ecologia. Sua vida é comemorada no dia 4 de outubro.
Orava constantemente com essas palavras:
Meu Deus e meu Tudo! e
Nada é meu, tudo é do Senhor!
- Será que a pobreza é santa?
Em uma época em que a igreja acumulava riquezas materiais, Francisco deixar sua riqueza para ser fiel ao chamado que recebeu foi um grande exemplo de coragem e confiança em Deus. Era essa a necessidade cristã do tempo que viveu. A evolução do pensamento cristão nos mostra que hoje, o grande desafio é usar dos bens com sabedoria, compaixão e desapego, isto é, com amor.
Cântico das Criaturas
São Francisco de Assis
Sublime, onipotente, bom Senhor!
Só a ti todo o louvor, toda a glória, toda a honra e todas as bênçãos.
E nenhum homem sequer é digno de mencionar Seu Nome!
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as suas criaturas,
Especialmente o Maestro da Vida, o Sol, nosso irmão,
Que nos traz o dia, com sua Luz!
Ele é belo e radiante e tem grande esplendor:
É o mais perfeito símbolo de Ti, Sublime Senhor!
Louvado sejas, meu Senhor e Criador, pela irmã Lua e as irmãs estrelas:
No Céu as formastes claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento
E pela brisa e pelo ar constante e sereno em todo tempo,
Através dos quais a todas as tuas criaturas dai sustento.
Louvado sejas, meu Deus, pela irmã água,
Que é tão útil, humilde, preciosa e casta.
Louvado sejas, meu senhor, pelo irmão fogo,
Que ilumina as noites:
Ele é belo, alegre, forte e poderoso!
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa amada irmã, a Mãe Terra,
A qual nos sustenta e nos conduz através das estações
E produz diversos frutos, flores multicoloridas e ervas que nos curam.
Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que sabem ver a vida através de Seus Olhos e, por teu amor, são capazes de perdoar e suportar, no amor maior, as dificuldades.
Felizes os que vivem na construção da paz e da justiça,
Por Ti serão coroados!
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã morte que nos leva o corpo
E que nenhum ser vivente pode escapar:
Ai dos que morrem cegos, sem a luz divina no coração!
Felizes aqueles que quando a encontram, estão trilhando Seus Caminhos
Porque não sofrerão a morte do espírito.
Louvem e bendigam o meu Senhor e O agradeçam
E O sirvam com grande humildade, por todo o bem que ele nos faz através de Suas Criaturas!
São Francisco, o santo que amava a liberdade de espírito e a paz
Em um encontro anual entre os franciscanos, São Francisco soube que seus frades estavam exagerando na penitência corporal, usavam cilícios cada vez mais pesados cingindo seus rins, por baixo de seus hábitos. Com pena deles, São Francisco lhes pediu que não fossem tão severos consigo mesmos, com o irmão asno, como chamava o corpo, e lhes pediu que soltassem os cilícios: e ouviu-se o barulho das pesadas correntes que caíam ao chão, soltas de suas cinturas, e o chão ficou cheio dos instrumentos de tortura com que cada um se flagelava. Fazendo uma analogia, e vendo o peso que carregamos hoje em nossos ombros e corações, esse é o momento que se abre para cada um abandonar o que o atormenta, sua dor pessoal e se amar a ponto de libertar-se. Cada um terá que fazer isso por si mesmo, através de sua experiência pessoal, e saber o que é bom ou mau para si mesmo, buscando o bem e sabendo dizer não ao mal. Isso é liberdade. Assim cessa o sofrimento individual, base para o término do sofrimento coletivo. Porque sofrer em relação a si mesmo é pensar de uma forma e sentir de outra, gerando o conflito, a guerra interna.
São Francisco e Santa Catarina de Sena são os padroeiros da Itália.
Stela Vecchi é escritora e consultora de Feng Shui.
Autora do livro Feng Shui Lógico (Ícone Editora, SP, 2004), ministra cursos de Feng Shui Lógico, técnica que favorece a felicidade porque deixa sua casa harmoniosa e plena de energia benéfica.
Autora do livro No Céu do Hemisfério Sul - Brasil, um Novo Começo, onde analisa a bandeira brasileira de um ponto de vista inédito.
Seu último livro, O Caminho da Sabedoria, é sobre o amor e sobre o verdadeiro significado dos relacionamentos amorosos em nossa vida.Visite também o site: www.fengshuilogico.com
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